OBAMA, OBAMA!

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OBAMA, OBAMA!

Mensagem  Vitor mango em Ter Jun 10, 2008 9:33 pm

OBAMA, OBAMA!

Mário Soares
Há sete anos, a América sofreu a grande comoção do 11 de Setembro de 2001. Foi um acontecimento que emocionou o mundo, que se solidarizou, em todas as latitudes, com a América.

Bush tinha começado o seu mandato e, desde esses dias fatídicos, geriu mal a crise que deles resultou. Hesitante e estupefacto, nos primeiros momentos. Arrogante, vingativo e unilateral, nos tempos que se seguiram. Convenceram-no de que tinha à sua frente a grande oportunidade para afirmar, sem contestação, a hegemonia unilateral da América, como hiperpotência dominante, no plano militar, político e económico e a ser o verdadeiro juiz e polícia do mundo. Tentou marginalizar as Nações Unidas, como se fosse uma organização internacional dispensável, submeter os seus tradicionais aliados - da Europa ao Japão, da América Latina aos países árabes - à vontade política e aos interesses dos Estados Unidos. Foi o seu grande erro. Um erro fatal! A par do seu estranho fanatismo religioso, do neoliberalismo extremo, que conduziu à "teologização do mercado" e ao desprezo absoluto pelas questões sociais, ambientais e pelas regras éticas. Ganhar dinheiro a todo o custo, sem regras, foi o objectivo fixado.

Seguiram-se duas guerras completamente insensatas e destrutivas: contra o Afeganistão, em que conseguiu envolver a NATO, que lhe deu o aval - outro erro sem remédio, que pode vir a ser fatal para a organização que o cobriu -; e contra o Iraque, um desastre histórico irreparável.

Não foram muitas as vozes responsáveis que se ergueram, para denunciar - no momento próprio - essas duas invasões e tudo o resto: Guantánamo, Abu Ghraib, as violências e os crimes. Nem na Europa nem na América. A vaga nacionalista, falsamente patriótica, e o exacerbado fanatismo religioso fizeram com que Bush ganhasse as eleições para o segundo mandato. Enorme decepção! E o silêncio - e subserviência - de tantos, na América e na Europa, tudo agravou, numa progressão do desastre inimaginável. Hoje, a grande maioria está pronta a reconhecer - americanos e não americanos, de todos os continentes - que George W. Bush terá sido o pior presidente de toda a história dos Estados Unidos... Fez muito para destruir o prestígio dos Estados Unidos no mundo e ficará na História como o grande responsável pelas crises múltiplas com que hoje todos estamos confrontados.

Houve, no entanto, uma voz contra que se levantou e se fez ouvir, na altura própria, ao denunciar o crime da "guerra preventiva" desencadeada contra o Iraque: o jovem senador do Ilinnois, afro-americano, Barack Hussein Obama. Uma voz singular sem arrogância, lúcida, convicta, convincente e corajosa: a do actual candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos. Por isso sou, desde o princípio, na minha modéstia e distância, completamente fã e solidário de Barack Obama. Porque a sua vitória diz respeito não só à América como ao mundo inteiro.

Ao princípio - todos se lembram - quase ninguém acreditou que Obama pudesse sequer vencer as primárias: "O quê? Um negro na Casa Branca? Impossível!", diziam. E, depois, acrescentavam: "Contra a experiência da senadora Hillary Clinton, rodada no establishment e nos mecanismos do poder? Segunda vez: impossível!" Ao que Obama, com simplicidade e convicção, respondeu: "Yes, we can!" Uma frase que galvanizou a América e o mundo. Vamos realizar a mudança, reafirmou. Retomar o "sonho americano". O idealismo das suas grandes referências: Lincoln, Roosevelt, John Kennedy, Martin Luther King... Os seus temas recorrentes são: a paz, os direitos humanos, o reforço das Nações Unidas, a solidariedade internacional, o diálogo intercultural, o pioneirismo, as grandes mudanças sociais (mais emprego, menos desigualdade, redução da pobreza, melhor saúde gratuita, melhor educação) e as grandes causas ambientais, em defesa do planeta ameaçado.

Obama, filho de um negro do Quénia e de uma americana branca, passou a sua infância no Havai e na Indonésia. Doutorou-se em Harvard e tem hoje 46 anos, é um orador excepcional, com um carisma impressionante. Desencadeou uma vaga de entusiasmo e confiança à sua volta, de um dinamismo crescente e contagioso. E, assim, conseguiu uma organização de apoio à sua candidatura, que cobre a América e se propagou pelo planeta. Imparável! É o que os franceses chamam a Obamania, que teve o condão de fazer com que imensas pessoas de todos os continentes voltassem a amar e a ter confiança na América... Tem sido um fenómeno, reconhecido por toda a gente que tem seguido a campanha e, nomeadamente, agora, pela sua grande rival Hillary Clinton.

Com efeito, a senhora Clinton reconheceu a vitória de Obama como candidato à investidura dos democratas. Fê- -lo, segundo dizem os media americanos, no passado sábado, num dos discursos mais emotivos, vibrantes e generosos da sua carreira política. Ao desistir da candidatura - que foi levada quase até ao fim, com uma persistência invulgar -, disse - e é verdade - que "abriu caminho para uma futura candidatura feminina à Presidência dos Estados Unidos". E acrescentou, dirigindo-se aos seus partidários: "A melhor maneira de continuarmos a nossa luta é usarmos a nossa energia, a nossa paixão e a nossa força para ajudar a eleger Barack Obama como o próximo presidente." Uma viragem inesperada que põe McCain em grande dificuldade.

Temos assim dois candidatos frente a frente, para a eleição de 4 de Novembro: John McCain e Barack Obama. Do lado democrata as feridas estão saradas e o partido unido e mobilizado. O primeiro foi combatente, ferido e é hoje veterano do Vietname, republicano, apoiado por Bush e por toda a direita americana. Pretende que as forças armadas americanas fiquem no Iraque os largos anos que forem necessários. O segundo, Obama, conseguiu dinamizar em seu favor o melhor da juventude americana (até agora desinteressada da política), a inteligência, as universidades, as academias, o cinema, a ciência, o melhor e mais progressivo que tem a América, da Costa Leste à Oeste.

O verdadeiro debate das eleições vai começar agora. Entre a América conservadora e a América progressista. As políticas internas e externas vão ser modificadas em qualquer dos casos. Mas quem defende a mudança coerente - e que se possa impor - é Barack Obama.

Não duvido um momento de que Obama será o vencedor. Representa uma viragem de 180 graus, na América e em grande parte do mundo. Uma ideia-força em marcha, imbatível. A entrada de um negro na Casa Branca representa, em si mesma, uma revolução cultural e política. Por mais armadilhado que esteja o seu caminho e por maior que seja a crise múltipla que está a atingir os Estados Unidos. Um vento de esperança vai soprar - começa a soprar - com a sua vitória no mundo. Como com Roosevelt, em 1932, depois da crise de 1929 e perante a ascensão de Hitler. Tudo se modificará.

Tenhamos nós, europeus, confiança. E saibamos lutar pelas grandes causas que orientam Obama e que podem - esperemos - transformar o mundo para melhor. Muito melhor!
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Vitor mango

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Re: OBAMA, OBAMA!

Mensagem  Vitor mango em Ter Jun 10, 2008 9:38 pm

Não duvido um momento de que Obama será o vencedor. Representa uma viragem de 180 graus, na América e em grande parte do mundo. Uma ideia-força em marcha, imbatível. A entrada de um negro na Casa Branca representa, em si mesma, uma revolução cultural e política. Por mais armadilhado que esteja o seu caminho e por maior que seja a crise múltipla que está a atingir os Estados Unidos. Um vento de esperança vai soprar - começa a soprar - com a sua vitória no mundo. Como com Roosevelt, em 1932, depois da crise de 1929 e perante a ascensão de Hitler. Tudo se modificará.

Tenhamos nós, europeus, confiança. E saibamos lutar pelas grandes causas que orientam Obama e que podem - esperemos - transformar o mundo para melhor. Muito melhor!

e
eu nao penso
leio
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