Galenas ...as radio dos tesos

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Galenas ...as radio dos tesos

Mensagem  Vitor mango em Sab Jun 14, 2008 11:55 pm

NAQUELE TEMPO ....... por Prof.Martinho


Naquele Tempo……..
Naquele tempo ,isto é nos anos 48-50,os estudantes em Coimbra andavam num alto desassossego científico. As galenas vendidas pelo Zé Correia,electricista estabelecido na rua Antero do Quental estavam exposta na montra com um significativo cartaz que anunciava : Estas galenas captam a BBC em Londres.



A escuta do emissor regional da Emissora Nacional instalado em Montes
Claros ,um ponto alto da cidade, constituía um escape ao
condicionamento imposto pelo toque da cabra que às l8 horas batia as 6
badaladas do alto da torre da universidade lembrando o cumprimento da
praxe e avisando caloiros, bichos e semiputos que deviam recolher a
casa para se livrarem das troupes
entre as quais ficou célebre a do Calado que sempre que podia rapava os
mais descuidados fazendo na cabeleira um ridículo e largo risco ao meio
que dava um aspecto psicodesintrabinquadrilhado ao apanhado.


Esta imposição que nada tinha a ver com a barbárie que se instalou na maioria das escolas do nosso país era rigorosamente controlada pelo dux veteranorum ,verdade seja dita,um bom substituto do poder paternal que por razões óbvias estava arredado do percurso diário de cada estudante.

A proverbial penúria que então era uma constante na vida académica ( só de vez em quando é que se ia ver uma cowboiada ao cine teatro Sousa Bastos) foi um factor limitativo de extravagâncias e ao mesmo tempo a causa

da
valorização das galenas do Zé Correia visto estas serem uma válvula de
escape para o tédio acumulado na leitura das sebentas ,manuais e
códices.


Daí que arranjar os cem paus para adquirir um aparato desses era ,por si só, um sacrifício que valia a pena fazer…..

Lá foram muitos sujeitar-se aos comentários escarninhos do Correia,largando a massa em troca duma cuidada embalagem e dos judiciosos conselhos técnicos :

-Ó doutor ligue ao borne da antena o colchão de arame da cama e à terra o cano da água…! Não troque as ligações…!

Pois
este vosso criado, constituindo um triunvirato com o Martins de
Carvalho ,estudante dos preparatórios de engenharia e com o Pires das
Neves, aluno da escola industrial Brotero também foi à oficina do Zé Correia tendo os mesmos por acólitos.


Adquirido o aparato lá fomos parar a uma república, onde perante a curiosidade e os dixotes de vários repúblicos procedemos
à montagem da galena. Era esta constituída por uma bobina com cursor,um
condensador variável e um detector de sulfureto de chumbo.e obviamente por uns auscultadores que não faziam parte do kit do vendedor.


O que mais nos fascinava era o movimento das lâminas do condensador.
Seria ali que residia o segredo da recepção da BBC ? E durante uma
noite fizeram-se as mais díspares tentativas sem quaisquer
resultados…para todas as posições do cursor e do condensador o
resultado era o mesmo: Emissor Regional…!


Para se poder entender o desaire logo ali se convocou um plenário onde se distinguiu, em veementes discursos ,a malta de Direito que se propôs ir junto do Zé Correia reaver o dinheiro de jure. No dia seguinte, uma luzida embaixada de capa e batina lá foi à rua Antero do Quental ocupando de imediato toda a área do estabelecimento. tendo o Noronha gasto uma meia hora ,citando princípios do direito romano para desclassificar a galena e exigir a devolução dos cem paus.

O Zé Correia pediu a palavra e dixit :

_ Meretíssimos doutores….provem-me lá que levaram a galena a Londres para ouvir a BBC…Vou devolver 50 paus para irem beber uns copos ao Toino Ladrão…!

Perante o inesperado desfecho da situação reuniu logo ali o plenário que encarregou o Noronha de proferir uma inflamada oração de sapiência pela qual foi concedido,ao Correia o título de doutor honoris causa em galenas..

Zé Correia exigiu diploma que lhe foi passado em latim macarrónico .Durante muito tempo foi motivo de atracção na montra do seu estabelecimento.


(CONTINUA)

João Martinho

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Vitor mango

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Re: Galenas ...as radio dos tesos

Mensagem  Vitor mango em Dom Jun 15, 2008 12:01 am

O GALENA


O galena surgiu em 1906, quando um coronel do exército norte-americano, H. H. C. Dunwoody, patenteou o detector de cristal.


Consistia
num fragmento de galena (sulfeto de chumbo natural), que se ligava a
uma antena por meio de um arame fino (bigode de gato). Todo o som
transmitido pelo transmissor e captado pela antena, passava pelo
cristal e era ouvido através de um par de auriculares. As freqüências
emitidas eram selecionados no cristal ou pedra de galena, bastando para
isso uma pequena variação na agulha.


Os
primeiros radioescutas do mundo todo, inclusive os brasileiros nas
décadas de 20 e 30, conheceram as audições radiofônicas através dos
galenas, receptores elementares, na maioria de fabricação caseira. Bem
mais tarde, surgiram os alto-falantes que, por sua vez, eram cornetas
de som, no mesmo estilo das antigas vitrolas e, posteriormente,
embutidos nos receptores.


Uma
quantidade enorme de ondas eletromagnéticas é produzida a lodo instante
pelas estações de rádio, em diversas freqüências (entre 100kHz e
300000kHz). São as chamadas ondas de radiofreqüência. Para a faixa
conhecida por ondas médias, as estações transmitem em freqüências que
vão, aproximadamente, de 500kHz a 1500kHz (como você pode conferir no
mostrador de um rádio).


Essas
ondas podem ser captadas por um receptor elétrico simples e
reproduzidas por um fone de ouvido, utilizando-se apenas a energia que
elas mesmas transportam.


Assim,
não é necessário o uso de energia fornecida pela rede elétrica ou mesmo
por pilhas. A partir do início do século XX, foram introduzidos nos
receptores de radiofreqüência certos cristais que permitem a passagem
de corrente elétrica num sentido, mas a impedem no sentido oposto.
Esses cristais são conhecidos como semicondutores.


Um
dos primeiros semicondutores utilizados foi o galena, o minério de
chumbo mais abundante na natureza. Galena é a denominação vulgar do
sulfeto de chumbo (PbS), que contém 86,6% de chumbo (Pb) e 13,4% de
enxofre (S). 0 cristal de galena foi utilizado durante muito tempo
devido a sua grande eficiência na detecção das ondas de rádio, sendo
inclusive empregado na construção de receptores improvisados durante a
Segunda Guerra Mundial, em toda a Europa.


Mais
recentemente, substituiu-se o galena por semicondutores de germânio ou
silício. Entretanto, por força do hábito, qualquer receptor pequeno e
simples, como o que propomos adiante, continua sendo chamado
"rádio-galena", mesmo que o semicondutor utilizado seja outro. A idéia
básica é bem simples, e o seu receptor, depois de montado, deverá ficar
assim:




Material necessário:
• uma base de madeira de 25cm x 25cm
• um canudo de cerca de 15em de comprimento por 3em
de diâmetro (pode ser de papelão, de PVC ou outro plástico isolante
qualquer)
• 45 metros de tio de cobre esmaltado (n- 28 ou 30)
• um fone de ouvido simples, desses que acompanham pequenos rádios de pilha (fone de cristal)
• dois capacitores de cerâmica: um de 250 pF e outro de 100 pF
• um diodo de germânio ou silício
• 15 percevejos
• fita adesiva
• um pedaço de lixa fina











MONTAGEM


Antena (A)


Para
se construir uma boa antena é recomendável utilizar aproximadamente 20m
de fio bem esticado, a uma boa altura do chão (5m pelo menos) e presa a
objetos isolantes. Uma das extremidades da antena deve ser lixada e
conectada a uma das extremidades da bobina no ponto 1, indicado na
figura. Bobina (L)


Para
se construir a bobina enrola-sé o fio de cobre esmaltado, dando-se
cerca de 100 voltas no tubo isolante. As voltas de fio devem ficar bem
encostadas umas nas outras, sem superposição. A primeira e a última
volta devem ser presas ao tubo com fita adesiva, deixando-se uma sobra
de 20cm de fio em cada extremidade. Lixam-se as pontas dessas sobras
para tirar o esmalte e permitir os contatos elétricos. Lixa-se também
cerca de l cm de largura ao longo de todo o comprimento da bobina. Essa
faixa servirá para fazer contato elétrico, variando-se o número de
voltas conectadas ao restante do receptor. Terra (T)


A
ligação com a terra pode ser feita através do encanamento da sua casa
(desde que seja metálico) ou através de um pedaço de ferro forcado no
chão. Capacitor (C l)


O
capacitor C l (250 pF) deve ser colocado em paralelo com a bobina. Um
dos seus terminais deve ser ligado à terra em 5 e o outro fixo em 3.


Do
ponto 3 sai um pedaço de fio. A extremidade livre desse fio deve ser
encostada na parte lixada do enrolamento(4), podendo percorrê- la de
ponta a ponta. Esse fio é chamado cursor. Com isso, pode-se introduzir
no circuito um número variável de voltas da bobina.







Diodo (D)
O diodo deve ter um terminal conectado em 3 e o outro em 6.
Capacitor (C 2)
O capacitor C 2 (100 pF) deve ter um terminal conectado ao diodo, em 6, e o outro à terra, em 7.
Fone (F)
O fone deve ser conectado em paralelo com o capacitor C 2, em 6 e 7.














Não
se esqueça que em todos os pontos de conexão (1 a 7) as extremidades
dos fios de cobre devem ser lixadas antes, para permitir os contatos
elétricos.


As
conexões devem ser fixadas na base de madeira através dos percevejos,
exceto a extremidade livre 4 (cursor), que poderá ser presa ao
enrolamento por um pedaço de fita adesiva

Coloque
o fone no ouvido e percorra lenta e cuidadosamente com o cursor a parte
lixada do enrolamento da bobina, procurando sintonizar uma estação de
onda média local.
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