O líder dos patrões pobres também votou em Sócrates

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O líder dos patrões pobres também votou em Sócrates

Mensagem  Admin em Dom Jun 15, 2008 1:49 am

O líder dos patrões pobres também votou em Sócrates

Silvino Lopes é dono de dois camiões, mas liderou uma revolta de dezenas de milhar

Silvino passou a semana ao telemóvel e a viajar pelo país num Audi A4 FOTO JOSÉ VENTURA

O homem que fez parar o país durante três dias e que, depois de uma longa madrugada, o pôs a funcionar de novo, fez parte da maioria que votou Sócrates nas legislativas de 2005. Depois do terramoto político que abalou o Governo, não se arrepende da orientação do voto. E provavelmente voltará a colocar a cruz nos socialistas nas próximas eleições. “Este é um momento difícil da economia mundial. Com um Governo PSD, as coisas não seriam muito diferentes”, argumenta Silvino Lopes, enquanto dá um gole de Sumol de laranja num café do Carregado.
O corpulento gestor, que ninguém diria ter apenas 32 anos, garante não ser filiado em nenhum partido político. “Simpatizo com pessoas”, acrescenta. Exemplos? Vai à bola com Santana Lopes e não com Manuela Ferreira Leite. O Expresso sabe, no entanto, que os dois homens que o têm acompanhado nesta semana mais longa, António Lóios e Vieira Nunes, são militantes activos do PSD. O primeiro é engenheiro da área das energias renováveis a apoiou Patinha Antão nas últimas directas; o segundo é bancário e dirigente dos trabalhadores sociais-democratas.
Ao primeiro contacto, é fácil apercebermo-nos do carisma de Silvino. Tem o verbo fácil e um discurso polvilhado de metáforas e aforismos. “Também sei comer a sopa de garfo”, dispara, depois de desligar pela enésima vez o telemóvel. Do outro lado da linha, era um responsável da Antram (embora ele não o tivesse confessado) a convidá-lo para um jantar de negócios. Nessa madrugada de quarta, as pressões atingiam o rubro. Preparava-se o acerto de posições entre grandes e pequenos patrões dos camiões, de costas voltadas desde o último fim-de-semana.
Mas voltemos a Silvino. Está longe de ser um histórico do ramo: embora conduza camiões de longo curso há quase quinze anos, só se tornou empresário há um ano e meio e é dono de apenas dois pesados de mercadorias. Não é de todo um império. Ainda assim, só no primeiro ano de actividade, a sua empresa, a Master Cargo, do Porto Alto, facturou um milhão de euros.

Escola e inteligência



Os detractores afiançam que tem “uma sede inesgotável de protagonismo”. O gestor repudia as críticas, garante “não ser boneco de ninguém” e que foi escolhido para o cargo na tumultuosa madrugada de segunda-feira, na Batalha, porque havia demasiadas vozes, nem sempre consonantes, na comissão de empresários de transportes. “Esta luta só termina com a nossa vitória. Quando o preço dos combustíveis baixar então vamos para casa. O Governo tem de ceder às nossas reivindicações. Não tem outra hipótese”, dizia na quarta-feira com uma confiança inusitada. Vinte e quatro horas depois, porém, o discurso moderava-se perante os 320 representantes dos empresários de transportes, outra vez na Exposalão da Batalha. Estaremos perante um aprendiz de político? Nada no currículo o aparenta. Silvino tem o 12º ano de Humanidades completo mas não se sente diminuído perante os doutores de canudo. “A escola só transmite conhecimento e não inteligência”, diz sem papas na língua. Talvez por ser benfiquista, Silvino Lopes diz estar habituado a sofrer mas nunca a baixar os braços.
Atira a matar contra o sindicato dos camionistas, a FESTRU, que nunca se reviu nesta paralisação: “Não sabem o que dizem e não dizem o que sabem” e contra a Antram: “Só defende os poderosos do sector”. O gestor gosta de lembrar que esta não é a luta dos patrões, mas sim dos micro e pequenos empresários, “que são 90% da camionagem”.

Tanto barulho e nada?



No meio, as críticas (sim, quem está na ribalta tem de se habituar) já se fizeram sentir: o primeiro número um da comissão, Jorge Lemos, que saiu do movimento segunda-feira em litígio com Silvino, é taxativo: “Tenho vergonha do que ele fez na quinta-feira. O acordo que tínhamos na segunda era exactamente o mesmo e na altura ele não aceitou porque argumentava que estávamos a ceder ao Governo. E o que ganhámos? A morte de um colega e um prejuízo desnecessário para o país”, defende.
Jorge Lemos assegura que tinha desconvocado a paralisação no início da semana porque embora não goste do Governo, “ainda confia” nas pessoas que lá estão. “Se não tivessem cumprido a palavra, voltaríamos à greve a 16 de Junho”. O dono da empresa Transportes Lemos vai mais longe: “Estes dias só serviram para promover um senhor que veio do nada e surge como o salvador da pátria, o António Lóios, que é um engenheiro e não um transportador. Mais nada”. De facto, foi Lóios quem falou aos jornalistas no final da assembleia da Batalha, ontem de madrugada. E não Silvino. De careca transpirada e olhar vago, não aparentava a expressão de um ganhador. Seria apenas o cansaço acumulado que o atirou para as primeiras páginas? “Acho que houve muito barulho para quase nada”, conclui Lemos.

http://aeiou.semanal.expresso.pt/1caderno/pais.asp?edition=1859&articleid=ES294151
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