Viver e crescer... perigosamente

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Viver e crescer... perigosamente

Mensagem  Admin em Dom Jun 29, 2008 1:55 pm

Viver e crescer... perigosamente


As armas dão uma sensação de poder aos jovens. Em Londres os adolescentes matam com facas de cozinha
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Ron Knox, o jovem actor de ‘Harry Potter’ assassinado (à direita na foto), com a mãe e o irmão)

Na tarde de 2 de Junho, uma moradora do bairro social de Baylis Road, em Londres, carregou no botão do elevador de uma das torres de betão deste aglomerado cinzento, a poucos metros da estação de Waterloo. Quando as portas se abriram, uma onda de sangue quente inundou o pavimento. Dentro do elevador, Arsema Dawit, uma estudante liceal, de 15 anos, jazia praticamente sem vida, com uma navalha espetada perto do coração. Os primeiros serviços de emergência chegaram quatro minutos depois. Mas já era tarde.

Arsema fora esfaqueada oito ou dez vezes na zona do pescoço e foi declarada morta no local, pouco depois. No dia seguinte, os jornais e os noticiários televisivos encheram-se de imagens que nos últimos tempos passaram a ser quase banais na capital britânica: a fotografia da vítima, invariavelmente sorridente, em uniforme escolar; a solidariedade de amigos e vizinhos, com cartões, flores, fitas coloridas e ursos de peluche colocados perto do local do crime; os pais destroçados que tentam - entre lágrimas e soluços - deixar um último tributo em frente às câmaras de televisão.


Mortos de todas as cores





A moçambicana Beatriz, que matou uma amiga


Os dados estatísticos revelam que a grande maioria dos agressores e das vítimas são jovens pertencentes às minorias - negras ou outras - que vivem nas zonas mais pobres da cidade. Mas nem sempre é assim. Na madrugada de 24 de Maio, Rob Knox - um jovem actor com um papel secundário no sexto filme da série Harry Potter, morreu na sequência de uma navalhada durante uma briga à porta do Metro Bar, em Sidcup, um bairro de classe média na zona sudeste de Londres. Tanto Knox, de 18 anos, como o presumível agressor, Karl Norman Bishop, de 21, são brancos. Duas semanas antes, Jimmy Mizen - um adolescente de 16 anos, de raça branca, membro da afluente comunidade católica do bairro de Lee - foi assassinado na padaria local, com a garganta esfrangalhada por um estranho que utilizou um “objecto de vidro dotado de superfície cortante ou perfurante”.

De acordo com a polícia, um número crescente de ataques tem sido cometido com simples facas de cozinha. No ano passado, Beatriz Martins-Paes, uma adolescente inglesa de origem luso-moçambicana, foi condenada a prisão perpétua pelo homicídio de Charlotte Polius, uma estudante de 15 anos, durante uma festa de aniversário em Ilford, em Londres. Beatriz espetou uma faca de cozinha de 12 centímetros no peito de Charlotte porque esta, aparentemente, a pisou na pista de dança. A lâmina atravessou o coração e cortou dois vasos sanguíneos principais, provocando enorme perda de sangue. “Não consigo explicar. Foi tudo surreal. Não quis acreditar no que aconteceu. Foi chocante”, explicou Beatriz, entre soluços, durante o julgamento.



CAMPANHA NACIONAL. O ministério do Interior lançou uma campanha para avisar os adolescentes das consequências do uso de armas brancas. Estas medidas são criticadas por especialistas que defendem que as soluções têm de ser pensadas a longo prazo, coisa que os políticos não fazem. Como lidar com uma geração que não confia nos adultos?

De acordo com as estatísticas oficiais, o crime violento continua a decrescer todos os anos desde meados da década de 90. Os números do ‘British Crime Survey’ apontam para uma queda de 41% no número de incidentes violentos ocorridos na Inglaterra e País de Gales, em 2006/07, relativamente a 1995. O número de vítimas mortais em ataques com armas brancas, no entanto, tem permanecido mais ou menos estável nos últimos dez anos - 200 a 220 mortos por ano. “O que mudou muito foi a demografia. A média de idades de vítimas e de agressores tem vindo a diminuir. As vítimas - sobretudo nas grandes metrópoles, como Londres, Glasgow, Manchester, Liverpool ou Birmingham - são cada vez mais jovens”, diz Richard Garside, director do Centro de Estudos Criminais (CCJS) do King’s College, em Londres. Este tipo de crimes e de vítimas atrai, naturalmente, notícias alarmantes que perturbam a classe política. Na recente eleição para o cargo de «mayor» de Londres, o candidato conservador Boris Johnson utilizou o crime juvenil e o porte de armas brancas como uma das bandeiras da campanha (vitoriosa). O Governo de Gordon Brown tem-se multiplicado em campanhas publicitárias, cimeiras em Downing Street e iniciativas de combate ao que descreve como “a epidemia do porte de armas brancas”.

Para Ife Igunnubole, um assistente social que trabalha em Hackney, um dos piores bairros de Londres, as recentes medidas “tocam apenas na superfície” do problema. “Existe uma sensação de desespero nas nossas ruas provocado pela pobreza e pelas desigualdades sociais. Isso está a criar uma cultura do medo. As armas brancas transmitem uma sensação de poder a esses jovens desesperados”.



Paulo Anunciação, correspondente em Londres



JOVENS ASSASSINADOS

16



adolescentes mortos em Londres só nas primeiras 22 semanas deste ano

27



adolescentes mortos na capital britânica em 2007

200



Média das vítimas de armas brancas nos últimos dez anos




MEDIDAS LEGISLATIVAS

1 de Fevereiro de 2007
Alargamento do limite máximo da pena de prisão por porte de arma branca, de dois para quatro anos

1 de Outubro de 2007
Proibição da venda de qualquer tipo de faca a todos os menores de 18 anos (a lei anterior era até aos 16 anos)

5 de Junho de 2008
Jovens de 16 e 17 anos passaram a responder criminalmente por porte de arma branca (até aqui só eram repreendidos)

http://aeiou.semanal.expresso.pt/1caderno/internacional.asp?edition=1861&articleid=ES295411
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Re: Viver e crescer... perigosamente

Mensagem  RONALDO ALMEIDA em Dom Jun 29, 2008 9:48 pm

O POVO tem o direito CONSTITUCIONAL de estar armado!!! E ainda esta semana a CORTE SUPREMA teve uma decisao a sesse respeito , numa GRANDE VITORIA DO POVO contra o ESTADO!!

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