Crise da economia espanhola agudiza

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Crise da economia espanhola agudiza

Mensagem  Admin em Seg Jun 09, 2008 6:44 am

Crise da economia espanhola agudiza

Todos os indicadores mostram resultados negativos. Zapatero ainda não assumiu a gravidade da situação
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O Governo espanhol é a única entidade que resiste a aceitar o facto de o país estar a viver uma das crises económicas mais sérias da sua história recente. Chama-lhe “desaceleração”, acrescentando-lhe o qualificativo de “intensa” ou “profunda”, consoante os casos.
A palavra ‘crise’ não foi ainda pronunciada por nenhuma instância oficial. E, no entanto, nenhum dos indicadores clássicos deixa margem para dúvidas, já que todos apresentam resultados negativos. Os especialistas dizem que é obrigação do Executivo não contribuir para o pessimismo generalizado, mas acrescentam que é uma grave irresponsabilidade não aceitar a realidade, porque é um dos elementos básicos para elaborar uma estratégia adequada para a neutralização da crise. Embora ninguém se atreva a falar em público de recessão, muitos aceitam que já não é um horizonte impossível.
Em Espanha, quatro factores básicos coincidiram para explicar a situação: a influência da crise desencadeada pelo fenómeno das hipotecas de alto risco nos Estados Unidos; a subida desenfreada dos preços dos produtos petrolíferos; a alta dos custos dos alimentos básicos; e o rebentar da bolha imobiliária, com o seu efeito imediato em todo o sector relacionado com a construção. O resultado foi uma descida das taxas de crescimento (a taxa homóloga foi em Maio de 2,7%, a mais baixa desde 2002, e prevê-se uma taxa inferior a 2% no final do ano), um aumento muito significativo do desemprego e da inflação, uma descida das receitas do Estado pela menor actividade e o desaparecimento do «superavit» nas contas públicas, entre muitos outros. O problema é que ninguém se atreve a vaticinar a duração deste clima, que afectou seriamente a confiança dos cidadãos. No Governo mantém-se a tese de que no final deste ano já se observarão alguns sintomas de recuperação, mas há analistas que consideram que isso não só não será assim, como em 2009 o perfil da crise se agravará.
O ministro da Economia, Pedro Solbes, que é também vice-presidente do Governo e goza de toda a confiança do primeiro-ministro Zapatero, acredita que terminará o ano com uma inflação do 3,5%, desde que os combustíveis se mantenham nos preços médios actuais; contudo, os dados de Maio elevam já este número para 4,7%, o mais elevado desde 1995. Há alimentos básicos (pão, leite, ovos, carne de frango…) que têm registado subidas superiores a 40%.
O desemprego apresenta resultados similares. Há actualmente mais 318 mil desempregados que em 2007, totalizando 2,35 milhões de pessoas, com taxas que são as mais altas entre todos os países europeus. A associação patronal CEOE teme que o ano termine com cerca de três milhões de desempregados, o que terá impactos significativos nas despesas para cobertura do desemprego. Os imigrantes são os mais afectados, e estão a ser tentadas fórmulas que incentivem o regresso aos seus países de origem.
As vendas de automóveis caíram 24,3% em Maio. E na Bolsa, nos cinco primeiros meses do ano, venderam-se menos 12% de títulos do que em igual período de 2007. O consumo de gasóleo caiu cerca de 10% em Março. A receita do IVA baixou nos quatro primeiros meses do ano cerca de 10,2% e só no mês de Abril caiu 19,7%. A descida na venda de apartamentos foi de 40% em Abril e já há mais de um milhão de habitações no mercado à procura de compradores, que escasseiam devido às restrições ao crédito hipotecário e à subida da Euribor para os 5%. O consumo privado, que representa 60% do PIB, está a crescer ao ritmo mais lento dos últimos 13 anos e o índice de confiança dos consumidores desceu dos 96,7% em 2004 para 63,8% em Abril deste ano. O prazo de liquidação de dívidas é hoje 140% mais alto que em Abril de 2007 e as caixas de aforro registam operações de crédito duvidoso no valor de €13 mil milhões.
O panorama, seja qual for o ponto de vista, é desolador. E o pior é que, na opinião dos especialistas, as previsões do governo impediram que, até agora, fosse avançado um pacote mínimo de soluções.

A ESPANHA EM NÚMEROS

PIB por habitante (2007) 30.120 dólares
PIB (2007) 1.351.608 milhões de dólares
Taxa de inflação acumulada anual em Maio 2008 4,7%
Taxa de crescimento homóloga (Maio 2007-Maio 2008) 2,7%
Taxa de crescimento prevista oficialmente para 2008 2/2,3%
Taxa de crescimento (previsão OCDE do PIB preços mercado) 1,6% (contra 3,8% em 2007)
Crescimento das importações em 2008 (previsão OCDE) 3,6% (contra 6,6% em 2007 e 8,3% em 2006)
Taxa de desemprego (Maio 2008) 9,3% (contra 8,3% em 2007)



1,8%


É a previsão para a taxa de crescimento do PIB no conjunto dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) em 2008. Esse nível de crescimento significará uma quebra de mais de 1,1 pontos percentuais em relação à dinâmica de 2007, segundo o relatório agora divulgado pela OCDE. O organismo dos países industrializados prevê, ainda, o aumento da inflação neste espaço económico, que subirá para os 3% de média anual, superior a 2007 (2,2%). A taxa de desemprego aumentará, também, para os 5,7% da população activa, tendência de alta que se manterá em 2009.

http://aeiou.semanal.expresso.pt/2caderno/economia/artigo.asp?edition=1858&articleid=ES293210
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